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domingo, 18 de setembro de 2011
AS FIGURAS DO SARABAQUÊ
Posted by Alex Souza on 16:52
Todos os anos, no mês de abril, milhares de cartazes são distribuídos pela cidade e adjacências anunciando a Festa de Santa Cruz.
A dança de Santa Cruz ou Sarabaquê, também chamada de 15 com 15, é um ato religioso, constituindo-se de danças e cânticos. Esse foi o modo mais fácil que os Jesuítas descobriram para alegrar e catequizar os índios para a fé cristã. Doutrinados, os catecúmenos procuravam imitar os passos dos inacianos, passos que se renovam até hoje, num ritmo lento e repetitivo, ao som do reco-reco, pandeiros; cuícas, puitas e violas dos moradores de Carapicuíba.
O cartaz informa ainda que a dança não exige roupa especial e dela pode participar quem quiser. Vista no ambiente da quermesse, com os estirados barbantes sustentando milhares de bandeirolas multicores, com as barraquinhas de quentão, cocadas, bolinhos e prendas arrematadas ao pregão e martelo do leiloeiro, a dança de Santa Cruz faz lembrar a quadrilha dos folguedos juninos.
Na dança, à frente dos dançarinos vão os dois violeiros, mestre e contra mestre respectivamente; primeira e segunda voz; atrás de um deles vai o tocador de adufe feito de madeira leve e com peles retesadas dos dois lados. Em seguida ao adufeiro vem o triple, com sua voz atenorada, de falsete e o grave contrato. Só então surge o séquito dos dançarinos, em coluna de dois. É a dança do vai quem qué.
A FESTA DE SANTA CRUZ
Posted by Alex Souza on 16:48
A Aldeia de Carapicuíba é célebre pela tradicional Festa de Santa Cruz que ali se realiza, anualmente, nos dias 1, 2, 3 e 4 de maio e, embora com menor repercussão, a Festa de Santa Cruzinha levada a efeito no dia 15 de setembro.
Reza a memória ter sido a Festa de Santa Cruz idealizada e realizada pelo padre Belchior de Pontes em 1714 visando com ela atrair os indígenas que habitavam em Cotia, Carapicuíba, Barueri e Santana de Parnaíba.
que, até aquela data, viviam sem atacar a missão dos inacianos, porém, não aceitando os costumes e as atrações dos brancos. Pouco a pouco, graças a essas festas os índios foram se aproximando e a elas aderiram a partir de 1770.
O TOMBAMENTO
Posted by Alex Souza on 16:45
Hoje a Aldeia de Carapicuíba é monumento nacional e, nessas condições, tornou-se praticamente intocável. Suas casas não podem ser veículo de transações comerciais e não se lhes deve mexer nas estruturas sem ordem do IPHAN. O Guia dos bens tombados, de Nestor Goulart informa haver sido a Aldeia tombada pelo IPHAN em 13 de maio de 1940. Como o tombamento implica em igual providência ex-oficio por parte do Estado, o CONDEPHAT, muito mais tarde, pelo processo 339/73 iniciou tal procedimento em 24 de julho de 1974 lavrando o registro no livro nº 01 de Tombamentos Históricos pag. 09, sob nº 83.
CROMO DE FOLHINHA
Posted by Alex Souza on 16:43
Em seu singelo aspecto físico a Aldeia de Carapicuíba bem parece delicado cromo de folhinha. Nesse cartão postal plantado às margens da Avenida Inocêncio Seráfico, algumas casinhas baixas, geminadas, apresentando quintais nos fundos, alinham-se na praça retangular. No lugar de destaque ergue-se acolhedora Igreja de São João Batista cuja padroeira é Santa Catarina.
Enamorados pelo bucolismo do quadro de moradores de Carapicuíba mandam fazer grandes posters enfeitando, com eles, as paredes das residências, das repartições públicas, das casas comerciais.
Caiadas de branco, barra azul claro, janelas estreitas, sem vidros, de taboas iguais às portas, pintadas de azul escuro, telhados com beiral, cobertos de telhas coloniais... Na praça quadrada alguns coqueiros alegram a paisagem, aguerridos protetores do velho cruzeiro no pedestal fronteiriço à igreja.
Os coqueiros embelezam o largo e o seu verde ajuda a evocar um tempo distante, indeciso entre a Pindorama indígena e o Brasil civilizado.
Inicialmente, ao tempo da fundação, as casas da Aldeia teriam paredes e tetos de palha. Depois passaram a ser feitas de materiais mais resistentes, consolidando-se, quando a taipa de pilão, de cascalho e barro cocado, com exaimé que, amarradas às fasquias de bambu, constituem a trama das paredes associando a técnica indígena com a experiência lusitana, impôs-se predominante nas construções. Nessa época, as janelas seriam gradeadas, para defesa contra ataques dos índios, porém hoje não mais o são.
Peça histórica de raro valor as casas da Aldeia foram edificadas para abrigar os padres Jesuítas e outros moradores que também possuíam propriedade em São Paulo de Piratininga.
Voltadas, na grande maioria, para a fachada da igreja, têm apenas uma exceção: a da pequena travessa que dá passagem para o loteamento do Jardim Eleonor, a Oeste na direção de Osasco.
PROFESSORA PRESTINA
Posted by Alex Souza on 16:36
A construção da Estação Sorocabana em 1921 pode ser considerada o germe deste novo núcleo habitacional erigido a pouco mais de quatro a cinco quilômetros da Velha Aldeia dos Índios. Iniciada em 13 de 1872, só em 10 de julho de 1875 as obras da Sorocabana foram concluídas. Mas o trem não parava em Carapicuíba que, em 1928, já era distrito policial.
Decorridos alguns anos o Dr. João Zeferino Ferreira Veloso promoveu ação executiva contra Delfino Cerqueira e sua mulher e, em 1936, parte das terras foi arrematada pela Sociedade Terrenos de Osasco Ltda.
Em 1948 Carapicuíba foi elevada à categoria de Paz sendo desanexada de Cotia, ao qual pertencia desde 1856, quando deixou de pertencer ao Município de São Paulo – que ainda reteve parte das terras da atual COHAB.
Por esse tempo, parte de Carapicuíba desde a Rua Duque de Caxias - atual general Teixeira Lott- até a atual Rodovia Raposo Tavares, abrangendo o Corintinha, Vila Dirce e Aldeia estavam encravadas no Município de Cotia. Outra parte ao Sul da Teixeira Lott, juntamente com Barueri, pertencia a Santana de Parnaíba.
Em 1947 Barueri e Carapicuíba tentaram chegar ao governo de Santana de Parnaíba, mas foram derrotados. Inconformados, os políticos apoiados nos deputados estaduais Diógenes Ribeiro de Lima e Antonio Silvio da Cunha Bueno, formaram três comissões para tentar conseguir a emancipação de Barueri.
A comissão de Carapicuíba – a mais importante das três, pois as outras duas pertenciam à sede de Barueri e ao bairro da Cruz Preta – era composta pelos senhores Benedito de Lima Tucunduva, Artur Velozo de Almeida, Mario Pestana, Rachid Antonio, Miguel Antonio, Samuel de Almeida, Salim Gebara, João Soares e Carlos Capriotti e, note-se – uma mulher – a professora Prestina Faria. É interessante frisar que em Barueri outras mulheres participaram dos trabalhos de qualificação dos eleitores que deveriam concorrer ao plebiscito, entre elas, Celina Barletta e Francisca de Almeida Farbo.
VILA SILVIÂNIA
Posted by Alex Souza on 16:34
Com a morte do Barão, a fazenda de Carapicuíba coube, por herança, à sua filha, dona Veridiana, casada com Martinho da Silva Prado. Passando por várias transações sucessivas, vendida que foi a outros compradores. Em 1903 Carapicuíba passou a propriedade de Delfino Cerqueira que, em 1922, contratou com a Companhia Construtora Paulista, o loteamento e arruamento de parte da gleba.
Mais tarde, Delfino Cerqueira contratou a firma Waistein e Cia para levantamento de outra parte da área, surgindo assim, a Vila Silviânia em homenagem ao advogado da Light, Dr. Silvio de Campos, irmão do presidente de São Paulo Carlos de Campos – naquela época os governadores eram chamados de presidentes – que em 1924 enfrentou a revolução paulista comandada pelo general Isidoro Dias Lopes e pelo general Miguel Costa.
Surgiu o Matadouro Carapicuíba no km 21 da Sorocabana; surgiram várias olarias e os compradores dos lotes da Vila Silviânia iam construindo suas casas. Nos altos dos morros foram aparecendo igrejas e pouco a pouco o antigo loteamento foi tomando ares de Vila.
O BARÃO DE IGUAPE
Posted by Alex Souza on 16:30
Praticamente Carapicuíba pouco se desenvolveu até a chegada dos trilhos da velha Sorocabana, depois FEPASA e agora CPTM. Situando-se no caminho de São Paulo a Itu, era lógico que, aos poucos fossem surgindo uma ou outra habitação longe da Aldeia – ao longo do comprido espigão que hoje é a Avenida Inocêncio Seráfico – cada vez mais próximas do Rio Tietê.Em 1º de agosto de 1854 o Barão de Iguape registrou, na Paróquia de Cotia, uma fazenda que abrangiria grande parte das atuais terras de Carapicuíba e Quitaúna, com área de 754 alqueires.Nascido em São Paulo em 1778, Antonio da Silva Prado, barão, com grandeza, de Iguape, em 1826, capitão mor, exerceu o cargo de Provedor da Santa Casa de Misericórdia. Mais tarde em 1841, foi vice-presidente da província de São Paulo e posteriormente assumiu o posto de diretor do Banco do Brasil, em São Paulo. É interessante notar a coincidência de datas. Parece que já estava prevista uma ligação através das idades, entre Silva Prado e Carapicuíba. Em 12 de outubro Silva Prado foi nomeado, por decreto imperial, Barão de Iguape, em 1848. Quando Antonio da Silva Prado faleceu em 1875, já fazia 21 anos que ele houvera sido nomeado primeiro barão com grandeza, de Iguape.

